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Engenheiros para a recuperação econômica


O crescimento da indústria ao longo da última década acabou por provocar uma expansão da oferta de engenheiros e técnicos que, entretanto, não foi suficiente para evitar o "apagão de mão de obra".

Alguns programas foram lançados, destacando-se o PRONATEC, especialmente para a formação de técnicos, e o Ciência sem Fronteiras, destinado a enviar estudantes de graduação e de pós-graduação para a realização de cursos no exterior.

Como já mencionei em artigo anterior, a crise econômica resultou num grave aumento dos índices de desemprego, com consequências dramáticas sobre o setor produtivo, em geral, e sobre a indústria, em particular.

Mesmo sob uma forte crise econômica, que começa a dar sinais de abrandamento, não podemos nos descuidar formação de quadros nas áreas da tecnologia e da ciência, ainda insuficientes. Em algum momento eles voltarão ser determinantes para a retomada do desenvolvimento e, por isso, é preciso ter cuidados especiais com os cursos de graduação em engenharia e tecnologia.

Nos anos 70 o ensino de engenharia passou por grande reforma, na mesma época em que foi fundada a ABENGE, Associação Brasileira de Ensino de Engenharia.

Foram concebidos currículos consistentes e capazes de combinar adequadamente as disciplinas de formação geral, destinadas a fornecer aos futuros engenheiros as ferramentas indispensáveis para o exercício da cidadania e da ética no trabalho profissional, as disciplinas de formação profissional geral, que traziam, pela primeira vez, a transdisciplinaridade para os cursos de graduação, e as disciplinas de formação profissional específica, voltadas para o exercício da profissão na habilitação escolhida.

A reforma de 1976 passou por aperfeiçoamentos até que foram lançadas, em meados da década passada, as Diretrizes Curriculares Nacionais, vigentes neste momento. Hoje temos mais 320 mil ingressantes nos cursos de engenharia, que são mais de 3 mil.

Entretanto, apenas cerca de 80 mil se diplomam, numero significativamente menor do que os da Russia, India e China, todos do BRICS. Temos hoje cerca de 700 mil engenheiros, 7 em cada mil trabalhadores. Nos Estados Unidos essa relação é de 25 para cada 1000.

O novo cenário global, regido pela sociedade do conhecimento, acabou por impor a construção de estruturas curriculares que contemplem a interdisciplinaridade, o compromisso com o meio ambiente e o fortalecimento das culturas da educação continuada, do empreendedorismo e da propriedade intelectual, que resulta no incremento da comercialização de tecnologias.

Dessa forma, espera-se que os egressos dos cursos de engenharia e tecnologia apresentem algumas habilidades facilitadoras do exercício profissional: o trabalho em equipe, a capacidade de identificar problemas e de oferecer soluções, o raciocínio lógico e matemático e o manejo da língua portuguesa, são algumas delas. Modernamente, a formação curricular impõe que a transversalidade entre as várias áreas de conhecimento seja a coluna vertebral das estruturas curriculares.

Em vários países já adotou-se um modelo de abordagem das disciplinas, denominado “STEM” (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática), quebrando-se, dessa forma, a estanqueidade dos temas estudados nas diversas disciplinas.

Além disso, estamos vivendo tempos em que os avanços do conhecimento obrigam a contatos estreitos e permanentes com a inovação. Em muitos casos, o tempo de obsolescência de um produto pode chegar a menos de quatro anos, prazo inferior ao da própria duração do curso.

Se o estudante não tiver contato frequente com as inovações e com os avanços da ciência e da técnica, poderá diplomar-se já fora do mercado. Uma segunda dificuldade surge da frágil articulação das universidades com o setor produtivo, na medida em que dela se origina a melhor forma de capacitação dos profissionais que a indústria necessita. Uma medida importante é garantir que nos cursos se desenvolvam atividades de iniciação científica e tecnológica.

O momento de possível recuperação da economia impõe que voltemos a nossa atenção para a formação de engenheiros e tecnólogos, para que possamos responder às demandas e necessidades do setor produtivo.

Por Paulo Alcântara Borges, do Blog do Noblat.

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